Reduzir, reutilizar e reciclar são verbos que podem fazer parte de nosso cotidiano para diminuir a poluição
A palavra que está na boca da garotada no momento é economizar. Não só como consequência da crise financeira mundial, mas porque combater o desperdício é a melhor maneira de enfrentar o consumismo exagerado, diminuir o lixo produzido em nossas casas, e ajudar a preservar o planeta.
Um dos grandes problemas do planeta é a quantidade de lixo gerada diariamente. Só no ano passado, Belo Horizonte produziu 1, 141 milhão de toneladas de lixo, segundo dados da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU).
Para ganhar a carteirinha de cidadão planetário informação é muito importante. Você sabia, por exemplo, que nem tudo o que colocamos na lixeira é exatamente lixo? Latas de suco, caixas de leite, pote de margarina e garrafa de refrigerante são resíduos. Lixo mesmo é aquilo que não pode ser aproveitado de maneira alguma.
Não à toa, a palavra lixo vem do latim lix que significa cinza, segundo a engenheira e professora da UFMG, Ilka Soares Cintra, responsável pelo projeto de implantação de alguns pontos de coleta seletiva no campus da UFMG.
Se sua família já tem o costume de separar latas, garrafas, papel e outros materiais que podem ser reciclados ou reaproveitados, parabéns! Caso contrário, lance a ideia em sua casa. A dica é da pedagoga e técnica do setor de Comunicação e Educação Ambiental da SLU, Maria Vitória Corrêa Cavalieri. Comece a partir de agora a praticar pequenas ações.
Evite encher o prato de comida e depois jogar parte fora, deixe menos tempo a torneira aberta e o chuveiro ligado, aperte o tubo de creme dental até o finalzinho, utilize as folhas que sobraram do caderno para fazer rascunho ou desenhar.
Para se ter uma noção do desperdício, um terço de toda a comida que a gente costuma comprar vai direto para o lixo, o que significa que a cada R$ 100 gastos com alimentação, R$ 30 são desperdiçados, segundo informações do Instituto Akatu. O mais triste é saber que só no Brasil 14 milhões de pessoas passam fome, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A quantidade média de lixo e resíduos produzida ao dia por cada um de nós, segundo Ilka, gera em torno de meio quilo, que multiplicado por 360 dias resulta em cerca de 180 quilos por ano. Multiplique agora esse número pela quantidade de pessoas da sua casa. Nossa! Quanta coisa…
E tudo isso é despejado onde? O percurso do lixo em Belo Horizonte segue pelo recolhimento realizado em caminhões que passam por uma Central de Tratamento e depois vão para o aterro em Sabará, na região metropolitana.
Já a coleta seletiva de plástico, papel, papelão e metal é feita também em caminhões que percorrem alguns bairros da cidade em dias alternados da semana. Depois descarregam o material em seis galpões que funcionam como associações e cooperativas, locais onde se processam a triagem, organização e embalagem do material que será reciclado. Muitas pessoas sustentam suas famílias a partir dessa atividade.
Há ainda pontos de coleta seletiva distribuídos pela cidade e 122 locais de entrega voluntária. Um certamente fica próximo de casa ou da escola. E por que o produto reciclado é tão caro? Uma das explicações é a produção ainda em pequena escala.
Para Ilka, é possível reaproveitar quase tudo que vem da natureza. Restos de alimento, como folhas, casca de ovo, por exemplo, funcionam como excelente adubos naturais. Já os chamados resíduos não naturais ou sintéticos – papéis, plásticos, vidros e latas – podem passar pelo processo de transformação de um material.
Por exemplo, o plástico pet da garrafa de refrigerante é processado e origina cerdas de vassouras e até fibra para camisetas. Esse processo que se chama reciclagem só produz vantagens: diminui a quantidade de lixo que vai para o aterro, economiza água e energia, além de gerar emprego e renda.
Experimente ficar um dia sem produzir lixo ou resíduo. Impossível, uma vez que 65% do que geramos são matérias orgânicas (alimentos), 27% de resíduos recicláveis e 8% lixo mesmo, ou seja, o chamado rejeito, que é papel higiênico usado, embalagem de pizza, etc.
A essa altura você deve estar se perguntando como fazer no caso das embalagens chamadas tetra pak, como as de leite longa vida, sucos, molhos de tomate, que são compostas por papel, plástico e alumínio.
Algumas capitais já têm ponto de coleta. Para saber a rota da reciclagem, basta navegar no Google Maps, que mostra quais são as cooperativas e pontos de entrega voluntária e os pontos comerciais.
Converse com seus pais, amigos, leve o assunto para sala de aula, monte um grupo e realize ações a favor do meio ambiente. A cidade, as pessoas e o planeta agradecem!
Fonte: Jornal Hoje em dia.