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ENEM – Candidatos vão enfrentar dez horas de provas
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Exame será realizado neste fim de semana, depois de ser adiado em outubro por vazamento de questões
SÃO PAULO – Os candidatos que vão fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), neste final de semana, deverão estar preparados para encarar, nas 180 questões que os aguardam, interpretação de texto, além de muita leitura de gráficos e tabelas durante um período de dez horas em dois dias de provas.

Esses três elementos serão a espinha dorsal da prova, afirmou Matheus Prado, presidente do Instituto Henfil. “Eles aparecerão transversalmente em todas as provas’’, que, segundo Prado, convidarão o aluno a “resolver problemas da vida real’’.
É por isso que a redação, por exemplo, é sempre sobre um tema atual e socialmente relevante, afirma a professora Célia Passoni, do Etapa.
Na prova que vazou, por exemplo, o candidato deveria escrever sobre a valorização do idoso. Para Passoni, no Enem, os alunos devem se preocupar especialmente em demonstrar posicionamentos “politicamente corretos’’. “Não se pode nunca desrespeitar os direitos humanos [ao escrever a dissertação, por exemplo]’’, alertou a professora.
Com uma prova num modelo tão diferente dos moldes tradicionais dos vestibulares, a dica para a reta final de Silvio Freire, coordenador de ensino médio do colégio Santa Maria, é refazer provas anteriores e investir em matérias de que o aluno não gosta.

“Se o aluno já vai bem numa matéria, nos últimos dias ele tem pouco a crescer na sua nota nessa disciplina. Mas, se ele se dedicar às de que não gosta tanto, o proveito será maior”, disse. O fato de as questões serem contextualizadas, lembra Prado, traz uma consequência direta à prova: os textos se tornam mais longos e, com isso, o exame fica mais cansativo.
A corrida contra o relógio é apontada pelos professores como uma das maiores dificuldades que o aluno terá. No primeiro dia de prova, serão menos de três minutos por questão. No total, são 270 minutos para 90 questões, mas ainda deve ser considerado o tempo – ao menos 30 minutos – de passar as respostas para o cartão-resposta.
Já no segundo dia, o tempo que os alunos podem gastar em cada teste depende da estratégia adotada na redação. Se a redação foi feita, o tempo para cada questão é o mesmo do sábado. Se o candidato optar por não fazer a redação, poderá usar as cinco horas e meia só para resolver os testes.

Se cursinhos e escolas concordam que uma das principais dificuldades do Enem é saber controlar bem o tempo, a unanimidade termina quando o assunto é fazer ou não a redação. De um lado, escolas incentivam seus alunos a fazer o exame inteiro, inclusive a redação. De outro, cursinhos relativizam a importância de perder um tempo – que pode ser importante na resolução dos testes – na elaboração da dissertação.
A lógica dos cursos pré-vestibulares é mais pragmática: não há sentido em perder tempo fazendo a redação se a universidade pretendida nem considera essa nota.
No sábado, serão quatro horas e meia para responder a 90 questões, sendo 45 de ciências da natureza e 45 de humanas. O domingo tem uma hora a mais de prova, porque, além das 45 questões de linguagens e das 45 de matemática, há também a redação.

